O antibiótico associado a uma alimentação terapêutica pode recuperar
crianças com desnutrição severa aguda, reduzindo as taxas de
mortalidade, afirma um estudo da Escola de Medicina da Universidade de
Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos.
A descoberta foi publicada no periódico “New England Journal of Medicine”, na última semana.
De acordo com o artigo, a desnutrição infantil pode ser tratada também
com medicamentos, além da alimentação. Isso porque parte das crianças
apresenta alterações na flora intestinal, em especial aquelas que
desenvolveram uma doença chamada de "kwashiorkor", decorrente da falta
de nutrientes.
"Os resultados são notáveis. Baseado em pesquisas anteriores, nós não
acreditávamos que o antibiótico traria muitos benefícios, mas foi isso
que ocorreu, o que é muito significativo", afirmou o cientista Indi
Trehan, principal autor da pesquisa.
O estudo envolveu aproximadamente 2,8 mil crianças de seis meses a
cinco anos de idade diagnosticadas com desnutrição aguda, em Maláui, na
África subsaariana. Cada uma delas recebeu uma média de 30 dias de
alimentação terapêutica e um placebo ou um antibiótico oral (amoxicilina
ou cefdinir) por sete dias.
Os resultados indicam que 88,3% das crianças envolvidas no estudo se recuperaram da desnutrição severa.
O destino da maior parte das crianças que não apresentaram recuperação
foi a morte, sendo que a taxa de mortalidade foi consideravelmente mais
elevada entre aquelas que receberam placebo (7,4%) do que o grupo que
recebeu antibióticos administrados - 4,8% para amoxicilina e 4,1% para o
cefdinir.
Os cientistas registraram uma queda de 44% na mortalidade com o uso de
cefdinir e uma redução de 36% com amoxicilina, em comparação com o
placebo. De acordo com a pesquisa, não foram observados quaisquer
efeitos colaterais graves provocados pelos antibióticos.
No início do ano passado, Indi Trehan e Mark Manary, outro autor do
estudo, apresentaram suas conclusões à Organização Mundial de Saúde
(OMS), que estabelece as diretrizes internacionais para o tratamento de
desnutrição e outras doenças.
"O tratamento não envolve procedimentos médicos complicados para acabar
com o maior assassino de crianças no mundo, algo que mata mais crianças
do que a malária, a Aids e a tuberculose", disse Manary. "As
implicações práticas são enormes."
Fonte: G1.com
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