O Hospital Sírio-Libanês inaugurou na segunda-feira uma Unidade de
Terapia Intensiva (UTI) dedicada exclusivamente ao tratamento da
insuficiência cardíaca. Por meio de uma parceria com o Ministério da
Saúde, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ter acesso à
terapia especializada. Além disso, no local será feito treinamento de
profissionais da saúde da rede pública.
A Unidade Avançada de Insuficiência Cardíaca (Uaic) firmou parceria com
14 hospitais do Estado de São Paulo ligados ao SUS, entre eles o
Hospital-Geral do Grajaú, na zona sul da capital, e o Hospital Estadual
Mário Covas, em Santo André. Os médicos do Sírio-Libanês contribuirão no
atendimento aos pacientes desses centros via telemedicina - haverá um
plantão de especialistas atendendo ligações dos hospitais conveniados 24
horas por dia - e receberão na própria unidade os casos mais graves.
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A insuficiência cardíaca ocorre quando a musculatura do coração fica
fraca e incapaz de manter a circulação em ordem. Hoje, é terceira
principal causa de morte por doenças no aparelho circulatório, atrás de
doenças cerebrovasculares e coronarianas. Entre os procedimentos que
serão feitos pela Uaic estão o transplante de coração e o suporte
circulatório mecânico, que funciona como um coração artificial. O
médico Dr. Roberto Kalil Filho, diretor do Centro de Cardiologia do
sírio-libanês, disse:
— Além de promovermos assistência para o paciente privado, vamos
atender o SUS. São pacientes que talvez não tivessem esse tipo de
suporte em outros hospitais.
O contrato do Sírio com o ministério prevê o atendimento de 15
pacientes do SUS no primeiro ano do projeto. Para Kalil, o número é
significativo, já que os procedimentos previstos são de alta
complexidade e envolvem tecnologia de ponta. Para a capacitação dos
profissionais do SUS, está previsto que eles acompanhem os procedimentos
cirúrgicos na Uaic e à distância, por teleconferência. O objetivo é que
eles sejam capazes de levar as técnicas aprendidas para seus hospitais
de origem.
Para Ludhmila Abrahão Hajjar, chefe da UTI cardiológica do Sírio, o
projeto poderá ser o embrião de ações semelhantes em todo o País:
— Se um hospital privado oferece tratamento para pacientes do SUS e tem
bons resultados, o ministério vai querer multiplicar o projeto para
todo o Brasil e proporcionar um tratamento de ponta para a população
carente, reduzindo a mortalidade de uma doença tão grave.
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Ludhmila exemplifica que mesmo em centros públicos de ponta, como o
Instituto do Coração (Incor), o SUS não paga procedimentos como o
dispositivo de assistência circulatória.
— Lá, a instituição é quem banca o procedimento, com recursos próprios.
Se o projeto funcionar e for custo efetivo, vai ser um piloto para a
padronização da terapêutica no tratamento de pacientes do SUS, diz
Ludhmila.
Parceria
O projeto também apresenta uma parceria com a Universidade de Chicago e
o Centro de Assistência Circulatória de Ratisbona, na Alemanha.
Especialistas dos dois centros estiveram no Brasil na semana passada
para um simpósio internacional sobre insuficiência cardíaca no
Sírio-Libanês. A Uaic adotará os protocolos de atendimento dessas
unidades e terá um canal direto com elas, com a possibilidade de
discussão de casos de pacientes brasileiros com os estrangeiros via
telemedicina.
O problema, explicou Ludhmila, não é exclusivo do País:
— Esses doentes estão morrendo na rede pública. A população tem pouco
acesso ao transplante cardíaco: faltam doadores e os programas ainda não
estão muito desenvolvidos. Não é um problema só do Brasil, mas do mundo
todo
Fonte: www.r7.com.br
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