Não dá para negar que esse câncer, o mais
frequente entre os brasileiros, vem ganhando atenção especial por aqui.
Nossa nação foi a primeira a banir as câmaras de bronzeamento
artificial, comprovadamente capazes de incitar o problema, e estabeleceu
uma regulamentação mais rigorosa para protetores solares. Isso sem
mencionar o Dia Nacional do Combate ao Câncer de Pele, celebrado em 24
de novembro de 2012 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) com
atendimentos gratuitos em 144 postos espalhados pelo país.
A
comunidade científica também demonstra preocupação com o tema. Tanto que
o pesquisador Teiti Yagura concluiu um estudo no Instituto de Ciências
Biomédicas da Universidade de São Paulo sobre como a radiação solar
fomenta alterações cancerígenas no código genético das células. "Já
sabíamos que ela consegue deformar o DNA", afirma Yagura, hoje na
Universidade de Kyoto, no Japão. "Agora vimos que, quando recebe raios
ultravioleta A, aqueles que incidem durante todo o período diurno, o DNA
absorve essa energia e, então, geraria uma molécula nociva que pode, em
tese, lesá-lo", explica.
No Congresso Mundial de Câncer de
Pele, sediado em São Paulo, foram discutidas alternativas que previnem
ou até controlam esses danos provocados pelo excesso de exposição ao
astro rei. "Recentemente apareceram armas inovadoras que auxiliarão a
combater os tumores de pele", garante Antonio Carlos Buzaid, chefe geral
do Centro Avançado de Oncologia do Hospital São José, na capital
paulista. Confira algumas das principais virando a página - mas tenha em
mente que se proteger do sol sempre será o melhor remédio contra essa
enfermidade.
Um remédio contra o tipo mais violento de tumor de pele
Só
4% dos cânceres que afligem a derme são melanomas. Ainda bem. Embora
menos comum, tal variadade é muito perigosa - fique de olho em pintas
assimétricas, de borda irregular, com mais de uma cor, ou que cresceram
nos últimos tempos. Quando não flagrada no início, torna-se mortal. E é
para esses casos que veio o ipilimumabe, droga já aprovada pela Agência
Nacional de Vigilância Sanitária. "A medicação deixa o sistema imune
agressivo e, logo, propenso a atacar o tumor", esclarece Buzaid. Nos
estudos, o fármaco elevou a sobrevida dos pacientes e, em algumas
situações, até os curou. "Apesar de possuir efeitos colaterais, ele
costuma ser bem tolerado", acrescenta Buzaid. No momento, os médicos
aguardam os resultados de uma pesquisa que testou o ipilimumabe em
melanomas menos avançados.
O gel que apaga manchas cancerígenas
"Em
uma pele muito exposta ao sol, às vezes surgem manchas avermelhadas e
ásperas", ensina o dermatologista Beni Grinblat, do Hospital Israelita
Albert Einstein, em São Paulo. Denominadas queratoses actínicas, elas
evoluem em 20% dos casos para um tipo de tumor. De modo a impedir essa
progressão, a empresa Leo Pharma criou um gel à base de mebutato de
ingenol, disponível no Brasil a partir de 2013. "O creme elimina as
células alteradas, é fácil de ser aplicado pelo dermatologista e tudo
indica que traz bons resultados", diz Francisco Paschoal, dermatologista
da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo. Como todo
remédio, ele demanda prescrição.
Onde você menos imagina
O
melanoma pode surgir na planta dos pés, nas nádegas, no couro cabeludo e
em outras áreas onde o sol não bate. "Por isso é importante
autoexaminar todo o corpo", reforça Gwen Corrigan, enfermeira do
americano MD Anderson Cancer Center. Um espelho de mão ou o parceiro ou a
parceira ajudam nessa tarefa.
O filtro que repara o DNA das células
Além
de bloquear raios solares, o protetor Eryfotona, da Isdin, conta com
uma substância batizada de repairsome, que reverte parte dos estragos
nos genes advindos de horas e mais horas na praia. "Nos testes, as
amostras de pele com repairsome sofreram menos alterações no seu DNA",
aponta Paschoal. Ou seja, o produto atua tanto na prevenção como na
restauração da cútis torrada. Hoje, ele é recomendado para quem teve um
câncer de pele ou para pessoas com alto risco de desenvolver a
chateação. Daí a razão do FPS 100. "Isso não quer dizer que seu fator de
proteção solar é duas vezes maior do que o de um filtro com FPS 50 e
que as pessoas podem se expor à vontade", ressalva Eliandre Palermo, da
SBD e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. No futuro,
talvez o filtro seja indicado para todos, mas isso depende de estudos.
Fonte : Saúde.abril
Nenhum comentário:
Postar um comentário