O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta segunda-feira (28), no Rio de Janeiro,
uma parceria com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos
(Bio-Manguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e a Fundação Bill
& Melinda Gates para formular a primeira vacina brasileira – contra
sarampo e rubéola – para ser destinada a países em desenvolvimento da
África, Ásia e América Latina. Atualmente, essa dose é fabricada apenas
por um laboratório indiano.
A expectativa é que 30 milhões de doses estejam disponíveis no mercado
até 2017. Segundo Padilha, cada uma delas será comercializada por US$
0,54 (R$ 1,17), o menor preço do mercado mundial. O ministro disse que a
parceria é a consolidação da terceira fase do Programa Nacional de
Imunizações, que completa 40 anos.
"O acordo que a gente assinou propicia mais investimentos e garantia de
compra, o que possibilita ocupar o mercado externo pelo menor preço. O
ministério está investindo R$ 1,6 bilhão e, com os investimentos no
desenvolvimento de vacina dupla e o investimento da fundação, estaremos
capazes de entregar a produção de 30 milhões de doses em 2017",
explicou.
Investimentos
O secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Carlos
Gadelha, disse que este é o primeiro passo concreto de uma ação que vem
sendo realizada desde 2011.
"Depois que o Brasil foi muito bem-sucedido no mercado nacional de
imunização, vai atender à demanda global. Vamos avançar para a (dose)
pentavalente e a vacina da dengue também. Isso estimula a produção no
Brasil. O investimento será de R$ 13,3 bilhões em saúde, o que abrange
vacinas, medicamentos e equipamentos médicos", disse.
Segundo o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, a instituição tem
capacidade de ampliar a produção para o mercado internacional. A
parceria possibilitou um processo de desenvolvimento e finalização para
produzir doses com preços mais baixos.
"Com esse preço, chegamos a uma situação vantajosa. Os investimentos na
Fiocruz estão em torno de US$ 500 mil (R$ 1,09 milhão). Isso pode
quadruplicar nossa capacidade de produção", afirmou o presidente da
Fiocruz.
De acordo com o ministro Padilha, todos os investimentos vão gerar
emprego e renda. Além disso, a tecnologia desenvolvida vai beneficiar o
mercado interno. Atualmente, o Brasil exporta vacina para 75 países em
todo o mundo.
Nacionalmente, o sarampo foi erradicado em 2000 e a rubéola, em 2009.
Mas de 150 mil pessoas no planeta ainda morrem em decorrência do
sarampo.
Escala de produção
As vacinas produzidas em Bio-Manguinhos serão fornecidas a países
atendidos pela Aliança Global para Vacinas e Imunização e por entidades
da Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com o diretor de Bio-Manguinhos, Artur Couto, essa parceria
vai fortalecer o papel do instituto. O valor investido será destinado à
construção de um laboratório em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, que
permitirá a produção de outras vacinas.
O presidente da Fundação Bill & Mellinda Gates, Trevor Mundel,
reforçou a importância da parceria. Segundo ele, por questões de
segurança, é importante ter uma diversidade de fornecedores de vacinas, a
preços baixos. A fundação vai investir R$ 1,5 milhão para o
desenvolvimento e pesquisa clínica no continente africano.
Fonte:G1.com
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